Domingo de corrida

Domingo de corrida, dia de acordar cedo. Calço os tênis, enquanto a cidade ainda dorme, e visto as roupas que fazem parecer que mais coisas são possíveis. Aspiro o cheiro da manhã. 10K, será? Carona, papo bom. Ainda meio devagar, abraço os amigos e conhecidos que vão chegando para a prova. Sorrisos, conversas animadas, as pessoas chegam, se encontram e se movimentam. O tempo não passa. Alguém gentilmente coloca meu número. 10K? Já foi quase.
Na largada, a mão da guia na minha me ancora. Ela me pergunta se estou nervosa e diz que vai dar tudo certo. Acredito. Largar é sempre como começar algo muito bom. Os primeiros minutos são para convencer o corpo de que você não vai mesmo parar, ajustar a respiração e as passadas. Vamos com calma, afinando a sintonia. Gosto tanto de correr na Beira Mar Norte. É bom passar pelos amigos, dar e receber incentivo. Respira. Ouvir tantos outros tênis batendo no asfalto é como compartilhar algo com um monte de desconhecidos. A passarela é desculpa para desacelerar, mas é tão gostoso descer correndo. Passamos por novas ruas, inclusive perto de casa. Obstáculos, alguns reais, outros da mente. Em frente à penitenciária, damos um animado “bom dia” para quem estava lá. Terreno irregular. Estamos quase na metade, foco. Um staf desatento não foi o suficiente, então encontramos dois e erramos o caminho. Tudo bem, a distância ficou certa no final. O que acontece na corrida fica na corrida.
Os quilômetros não passam, ou seríamos nós que não passamos por eles? O sol brilha impassível. Dia lindo, as pessoas aproveitam. Nós também. Corremos. Calor. Falta muito. Conversamos. O ritmo já pouco importa há tempos. As pernas não doem mais do que manter a briga com meu foco. “Você não precisa caminhar” diz a guia. Verdade. Quero, mas não preciso. Quero muito. Não preciso. Às vezes perco essa batalha. Falamos de motivação. Corremos. Qualquer pensamento positivo ficou lá pelo quinto quilômetro, mas a chegada…
A chegada fica em cima de um morro, no hospital. O morro parece infinito. Os amigos incentivam. As pernas doem, a respiração descompassada, a guia não me deixa parar. Tão perto. Cheguei até aqui. Meus primeiros 10K. O que mais importa? Depois. Abraço suado e grato. Emoção gigante. Medalha e água. O tempo? Depois. Achamos um lugar pra sentar. Domingo de corrida.

 

Ficha Técnica
Prova: II Corrida do Hospital Nereu Ramos
Data: 10/02/2019
Local: Em frente à entrada do Hospital Nereu Ramos
Distância: 10K

Imagem destacada: #FotoDescrição Foto de corpo inteiro de Ana e Kika em pé, abraçadas e sorrindo ao final da prova. Vestimos camisetas azuis do IPE (estou com numeral da prova, 124), short e tênis. Estou de cabelos presos, cabeça inclinada em direção à Kika, que veste viseira preta. Seguro a medalha da prova que está no meu pescoço um pouco a frente, para mostrar. Kika segura a guia. Atrás de nós, outros atletas, árvores e um pedacinho do céu.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s