Por onde eu corro: Beira Mar de São José

O vento batucando frenético na minha janela inevitavelmente lembra a Beira Mar de São José, onde sempre venta. Sempre. A pista larga de asfalto é ideal tanto para tiros e fartleks quanto para rodagens tranquilas, mesmo que seja preciso dar algumas voltas. Tudo bem. As lembranças se confundem entre dias muito bons e muito sofridos. Alguns dias muito bons, mesmo que sofridos. Outros apenas sofridos mesmo. Dias de ótimos resultados, mas principalmente ótimas conversas , comigo mesma e com os guias.
Perto de casa agora, rotina. Os 2, 4K parecem não ter fim. A curva não chega. Mas é tão gostoso correr aqui. O cheiro do ar, do mar. Salgado. As pessoas. E a curva? Calculei errado de novo. O corpo sente, mas também engana. É muito legal todo mundo se exercitando, conversando. Ciclistas amigáveis, cachorros, crianças brincando. Só mais duas voltas, o quê? Ainda? O corpo quer fazer menos. A mente quer se render. Mas continuamos. Conversamos. Acelera. Mas como? O ar fresco é um carinho. O barulho tímido das ondinhas também. Acalma. O guia descreve a paisagem e as nuvens no Cambirela. Ainda vou subir lá, penso. “Não vai parar agora, né?” De fato não precisa. Eu quero. Como se parar resolvesse algo quando é a mente que reclama. Achar o foco.
Desistir é duro. E necessário, às vezes. Cada passo caminhando dói. As lágrimas na garganta, o peso nos ombros. Seguimos como dá. Sempre precisamos do guia, mas às vezes precisamos mais ainda do amigo. Do puxão de orelha de quem conhece, do “agora eu entendi.” “Você consegue”. Conseguimos. Logo vem um dia de sorrisos. Da calmaria do sol subindo o céu até sumir. E o vento? Correr a favor é tão bom. O problema é a volta e o túnel de vento. A gente passa. Só manter. Às vezes estamos tão bem. Tão bem. Correr faz tão bem. É pra lembrar dos porquês e das respostas.
O treino de sábado no sol escaldante, as tardes abafadas de boca seca e pernas cansadas, as segundas de ficar de boa. Os tiros, ah, os tiros. Aquela sexta da 1 hora incrível. Correr com um amigo só pelo prazer. Sentar pra conversar depois. Procurar água. Ah, esse esporte que nos dá tanto. Limpar a mente. Encher os pulmões. Sentir. Adrenalina. O corpo cheio de corrida e de vento. O vento ainda bate com força na minha janela, a saudade ainda bate sem dó no meu peito.

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